dezembro 21, 2006

Ilusões da Vida

Quem passou pela vida em brancas nuvens
E em plácido repouso adormeceu,
Quem não sentiu o frio da desgraça,
Quem passou pela vida e não sofreu,
Foi espectro de homem, não foi homem.
Só passou pela vida... não viveu.
(Francisco Otaviano)

dezembro 15, 2006

Sociedade?

Relato aqui minha indignação. A mesma que dorme e acorda comigo todos os dias. A mesma que me acompanha enquanto eu caminho na rua e tento enxergar algo que vá além do orgulho e do egocentrismo humano. Porque eu não suporto mais viver em um mundo onde as pessoas simplesmente não se importam com outra coisa além de elas mesmas. Porque eu não quero para os meus filhos a sociedade que eu vivo. Com a política que eu sou obrigada a aceitar. Com a "liberdade" que, definitivamente, não existe. Com as possibilidades de melhora tão restritas quanto a "socialização emocional" das pessoas.

Eu vejo crianças passando fome. Indo de havaianas para a escola no inverno. Aquelas roupinhas gastas... sujinhas... rasgadas... remendadas... Se é que dá prá se chamar de "roupas'"... E do outro lado, eu vejo aquelas descendo do melhor carro importado, na frende da melhor escola particular da cidade, cruzando, indiferentemente, àquelas.

Eu vejo pessoas adoecidas, nas filas dos hospitais, esperando uma mísera vaga para serem atendidas pelo médico, que muito mal dará uma olhada, entregará uma receita e, talvez, receberão um remédio gratuitamente na farmácia do posto... E do outro lado, aquelas com o melhor plano de saúde, onde, quebram a unha e o médico manda-lhes fazer um raio x dos pés à cabeça...

Eu vejo seres humanos, já nem tão humanos, pedindo esmolas... Implorando pão, nem é dinheiro... Sentados nas ruas, às vezes com suas feridas expostas, humilhando-se para poder sobreviver por mais alguns dias naquela condição... E do outro lado aqueles que gastam milhões para visitarem os melhores ambientes, as melhores pousadas, nos melhores lugares do mundo.

Eu nem ligo mais a televisão, porque não quero mais ver tanta baixaria. Não quero saber mais o que já sei que vou saber: As mesmas mortes, a mesma falta de segurança, os mesmos medos, a mesma propaganda política de todos os anos desde que me conheço por gente e até muito antes disso...

A mídia e seus apelos: Faça isso, coma aquilo, compre aquele outro. Direita! Esquerda! Mais prá cima! Não, em baixo!
Não suporto essa farsa. Esse querer encobrir tudo como se fosse tão simples... Como "O Rio de Janeiro continua lindo" e "O Brasil é o país do Futebol", prá atrair turistas, prá conseguir dinheiro...
E Prá onde vai tanto dinheiro? Prá continuar mantendo as aparências? Prá que servem as aparências?
Sinceramente, farta. Farta de viver em uma sociedade aonde as pessoas não se importam com nada que vá além do que possam ver. Quem está por cima está sempre bem. Quem está por baixo definitivamente não existe. Mas a dor que os menos favorecidos sentem é a mesma que qualquer pessoa sentiria. Pobres ou ricos, todos têm medos e ambições. Todos têm sonhos. Desejos. Todos têm, digamos, vida.
Mas quem se importa? ninguém se importa.
Nós escolhemos isso. Nós somos os culpados. Somos egoístas por natureza. Tendemos a, simplesmente, ignorar qualquer pessoa que esteja abaixo de nós. Vivemos em uma sociedade de aparências onde, o interior não importa. Você está sofrendo? Dane-se. Sua maquiagem está bem feita... então, nem dá nada.
Somos ridículos. Eu odeio de tal forma as atitudes dos seres humanos... Que, se eu pudesse, me transformaria em outro ser, que não fosse humano...

dezembro 07, 2006

Não sei se um dia chegarás a ler isto. Nem sei se ainda o podes fazer.
Não sei o que fazes, por onde andas... O que pretendes ou se pretendes algo. Não sei.
Não sei o por quê das questões que de vez em quando surgem e, da mesma forma que vem, vão. Não sei de onde, nem prá onde... Apenas sei que elas existem.
E tu, ainda existes?
Por que nunca apareceste?
Por que deixaste que eu fosse embora sem anotar qualquer referência que pudesse me identificar depois?
Nem irias gastar muito prá isso... Apenas alguns minutos de teu tempo...
Será que já pensaste em digitar meu nome no Google?
Será que alguma vez, ao deitar, te perguntaste por quê? Onde? Como? Será?
"O cabelo ficou mais escuro? Mais claro?
Os olhos continuaram azuis? Ou encastanharam?
Será que ficou mais alta? Tão alta quanto? Mais baixa?"
Ou será que nunca fez diferença ser... ou deixar de ser?
Não sei se um dia chegarás a ler isto. Nem sei se ainda o podes fazer.
Mas se um dia o fizeres, acredite, que neste mesmo dia, eu ainda estarei procurando as respostas que só tu podes me dar.
E a maior, nem é a mais complicada... Ela resume-se à dúvida de tua existência,
Aonde o simples fato de surgir já será a resposta...
Será que vais surgir um dia?
Aparecer na esquina? Apertar a campainha?
Enviar uma carta? Um e-mail? Um Scrap no Orkut?
Um telefonema? Um recado? Um comentário?
Uma notícia...
Ou será que dormirei eternamente sobre a dúvida:
Será???

novembro 30, 2006

Soliedariedade?

Ontem saí mais tarde do trabalho. Uns 40 minutos além do normal.
Para minha sorte (e azar de quem estava no ônibus), o trem havia desencarrilhado e fechado a avenida ao lado da rodoviária. O congestionamento fez com que eu pegasse o mesmo ônibus que teria pego se tivesse saído às 18h.
O motorista, exausto, decidiu "dar a volta" e andar alguns km até o viaduto para passar sobre a linha. Ao ver o ato do motorista, um senhor bem idoso que estava EM PÉ ao meu lado, perguntou prá uma senhora:
- Ele não vai passar no Big? (hipermercedo)
- Não - respondeu a senhora curta e grossa.
- Então vou descer aqui que é mais perto. (Estávamos há umas 5 quadras)
Eu segurei no braço dele e disse:
- Não tio. Espere aí. Ele vai passar no Big sim.
O senhor me olhou com ar de desconfiança. A mulher ao lado começou a resmungar dizendo:
- Ele não vai passar. Só quero ver "neguinho" fazendo caminhada. Mas é bom prá aprender.
Esses e muitos outros tititis que ela começou a falar foram me deixando irritada e eu nunca desejei tanto que aquele ônibus voltasse os 2 km depois do viaduto só prá queimar a cara dela. Mas ao passar o viaduto, o motorista não entrou na rua que deveria. Comecei a me sentir culpada e fui até lá:
- Tio, você não vai passar no big?
- Não. Por quê?
- Porque tem um senhor lá atrás esperando para descer no big.
O Motorista me olhou, olhou pelo retrovisor... esperou o semáforo abrir e disse:
- Tudo bem, eu volto.
Nem preciso dizer que a mulher do fundo quase teve um chilique. COmeçou a falar alto e na minha direção:
- Ele não ia passar se alguém não tivesse se entrometido.
- Senhora, é obrigação dele passar lá - eu disse.
- Obrigação por obrigação eu também tenho que cuidar dos meus filhos... blá blá blá...
O motorista fez mais do que voltar no ponto. Deixou o senhor na entrada no hipermercado, coisa que nem precisava. O senhor me olhou, deu um sorriso tímido e desceu. Depois que o senhor desceu a mulher berrou:
- Motorista, ande rápido, porque eu também tenho OBRIGAÇÂO.
Disse isso como se a culpa de tudo tivesse sido do cara que não fazia mais que o seu trabalho. Ao que um outro senhor, porém uns 30 anos mais jovem que o primeiro, disse em alto e bom tom:
- Está com pressa senhora? Desça e pegue o Moto-táxi.
Aquilo gerou murmúrios e gargalhadas no ônibus. Nunca me diverti tanto. Então, esse senhor veio na minha direção e disse:
- Muito bonito o que você fez mocinha. Isso se chama soliedariedade.
Eu poderia ter dito que não fiz mais que a minha obrigação, e isso foi a primeira coisa que veio na minha cabeça; mas hesitei e respondi:
- De vez em quando é bom sermos solidários.
Olhei prá chata e ela estava me olhando de canto de olho. Voltou para as colegas. Fechou a matraca.

novembro 28, 2006

Seilinhah

“A vida é um presente diário, E sou feliz tão somente em recebê-lo. Medo da morte? Jamais tive. Apenas às vezes me contive No medo de morrer sem vivê-lo.” (seile)

novembro 25, 2006

Diferente, eu?

Desculpe. Sou sim, realmente.
Não faço questão de ser réplica.
O mundo já está cheio de pessoas "etiquetadas"
e "outdoors ambulantes".
Até porque para ser comum é muito simples:
Basta seguir as regras e andar na moda.
Permitir-se ser influenciado.
Encantar-se com fetiches midiáticos
que te mostram o supérfulo como necessário.
Tornar-se fútil. E pessoas fúteis não fazem o meu estilo.
Eu gosto mesmo é de gente simples
e inteligente.
E para mim, inteligentes são aqueles
que têm a capacidade
de tomarem suas próprias decisões
e fazerem suas próprias escolhas
sem influências alheias...
Sem se preocuparem com a maioria.
Eu gosto de gente que marca presença por ser diferente.
Por ter personalidade.
Eu te incomodo?
Agora eu sei, deve ser por isso.
Pessoas desiguais são, facilmente, percebidas.
As "normais" são apenas massa... número.
Então quero te pedir desculpas
por esse "incômodo".
Pois nunca foi minha intenção
Aborrecer pessoas
cuja a existência prá mim é tão... ... insignificante.
"Porque não há fórmula para o sucesso. Mas para o fracaso há uma, infalível: Querer agradar a todo o mundo."

novembro 23, 2006

Eu espero pelo dia em que todos terão direito às mesmas coisas, obedecerão as mesmas regras, sentirão os mesmos gostos.
Pelo dia em que todos aprenderão olhar além do espelho, além da própria imagem, e esquecendo o egoísmo, estenderão a mão àqueles que realmente precisam.
Eu espero pelo dia que o sol brilhe em todas as ruas, pelo prato de comida em todas as mesas, pelo cobertor em todas as camas... Eu espero que um dia todos tenham camas... E teto... E família...
Eu espero pelo dia que palavras não sejam mais vistas com tanta importância... Que status e poder já não estejam relacionados e se puder, que nem existam mais... Que saúde seja comum à todos assim como a educação.
Eu espero pelo dia em que as pessoas simples serão mais críticas e menos subordinadas. Quando pessoas serão, indistintamente amadas, aceitas, humanas.
Eu espero sim por este dia, mesmo que ele nunca chegue.
Mesmo que alguém me critique.
Mesmo que você não acredite que ele possa existir.
Espero, porque é na esperança que encontro forças para tentar mudar o mundo,
não o de todo mundo,
mas o mundo que eu vivo e posso considerar meu.
Às vezes me pego cansada... A inconsciência das pessoas me irrita. Os noticiários me magoam... Já nem assisto mais televisão.
Mas levanto porque no chão não sou capaz de estender a mão prá alguém levantar,
Porque ainda tenho forças para lutar
E tentar mudar um mundo repleto de homens e excasso de cidadãos.